Cecília Preta - Legado Cultural em 20 fotografias

 

Cecília Preta foi uma mulher singular e pioneira. Assumiu o título de Rainha Conga do Estado de Minas Gerais, em sucessão a Maria Cassemira, destacando-se como sambadeira e abrindo caminhos para a valorização da cultura popular em um contexto marcado pelo racismo e pelo apagamento das tradições afrodescendentes.

Neta de escravizados e filha de um jagunço, Cecília desafiou as estruturas sociais da época e construiu uma trajetória marcada pela resistência, pela força e pelo compromisso com sua comunidade. Casou-se quatro vezes e, mesmo sem filhos biológicos, adotou e criou 22 crianças, exercendo uma maternidade ampliada, baseada no cuidado e na coletividade.

No Congado, consolidou-se como referência, formando grupos e promovendo a cultura afro-mineira. Na Umbanda, foi benzedeira, parteira e especialista na produção de garrafadas medicinais, auxiliando incontáveis pessoas com seus saberes tradicionais. Mulher de múltiplos talentos, também se destacou como costureira e cozinheira — especialmente na confecção de vestidos de noiva.

Cecília tinha um profundo senso de solidariedade: nos Natais, organizava banquetes para pessoas carentes. Sua influência política era tamanha que, durante a ditadura militar, conseguiu libertar presos políticos e garantir assistência médica aos necessitados.

Faleceu em 1997, mas sua memória segue viva por meio de seu filho e Guardião do Patrimônio, Gustavo Alves Gomes, que luta para preservar esse acervo precioso da história e da cultura popular.

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