Cecília Preta foi uma mulher singular e pioneira. Assumiu o título de Rainha Conga do Estado de Minas Gerais, em sucessão a Maria Cassemira, destacando-se como sambadeira e abrindo caminhos para a valorização da cultura popular em um contexto marcado pelo racismo e pelo apagamento das tradições afrodescendentes. Neta de escravizados e filha de um jagunço, Cecília desafiou as estruturas sociais da época e construiu uma trajetória marcada pela resistência, pela força e pelo compromisso com sua comunidade. Casou-se quatro vezes e, mesmo sem filhos biológicos, adotou e criou 22 crianças , exercendo uma maternidade ampliada, baseada no cuidado e na coletividade. No Congado, consolidou-se como referência, formando grupos e promovendo a cultura afro-mineira. Na Umbanda, foi benzedeira, parteira e especialista na produção de garrafadas medicinais , auxiliando incontáveis pessoas com seus saberes tradicionais. Mulher de múltiplos talentos, também se destacou como costureira...